ARQUITECTURA & CERÂMICA. O espaço da tradição mural na contemporaneidade

Autoria:Ricardo Amaral

Orientação:Graça Correia

Universidade do Porto - Faculdade de Arquitectura

Finalista

Memória descritiva

A cerâmica mural tem, em Portugal, uma longa tradição que está inevitavelmente associada à história da azulejaria, constituindo esta um dos elementos essenciais na definição da cultura portuguesa.

A reflexão sobre a especificidade da sua influência na cidade do Porto serviu de base para uma experiência prática de arquitectura, uma vez que o Porto e algumas regiões próximas foram pioneiras ou até únicas em determinados momentos da história da azulejaria nacional. Os azulejos em relevo produzidos para as fachadas dos edifícios, ou os azulejos em padrão que revestiram o exterior de igrejas no fim do século XIX, são exemplos do carácter inovador da azulejaria do Norte do país, assim como os revivalismos históricos do início do século XX que dotaram as fachadas da cidade de verdadeiras narrativas a azul e branco.

Apesar da sua história, o Porto carece de um espaço integralmente dedicado à preservação e divulgação desta arte, numa altura em que o interesse internacional pela azulejaria da cidade é crescente; numa altura, também, em que o Porto renova a sua imagem gráfica mostrando o azulejo como símbolo da cidade, e o Museu Nacional do Azulejo em Lisboa prepara a candidatura para o integrar no Património da Humanidade da UNESCO. Apropriando-nos então das palavras do historiador Fausto Martins na conclusão do seu livro Azulejaria Portuense, questionámos: «se o azulejo é signo identificativo, se é marca que nos distingue (…) qual tem sido e qual é a estima do Porto pelo azulejo?».

O projecto desenvolvido pretende dar uma resposta prática a este problema, através de um edifício que reúne espaços de aprendizagem, trabalho e investigação.  O edifício proposto localiza-se entre outros tão importantes como a Biblioteca Municipal ou a Faculdade de Belas-Artes, permitindo intercâmbios programáticos, mas exigindo, pela qualidade arquitectónica da envolvente, um grande cuidado de integração no lugar.