ITINERÂNCIAS E PERCURSOS DA MEMÓRIA. Desenho que suporte a relação entre património, território e paisagem

Autoria: Mariana Calvete

Orientação: José Aguiar

Universidade de Lisboa - Faculdade de Arquitectura

Menção honrosa

Memória descritiva

À luz da situação de degradação e abandono em que muito do nosso património construído se encontra, e do geral desconhecimento da cultura, da paisagem, e dos lugares de Portugal, esta dissertação procurou um retorno à viagem como forma primordial de entender estes valores. Assim, num momento em que todos tendem a olhar para o país com um certo desencantamento, desenham-se as Itinerâncias e Percursos da Memória, uma estratégia nacional que propicia a criação de percursos, troços de estrada onde património e paisagem se unem para contar a história da terra e das suas gentes a um ritmo devido. Pontuados por lugares onde a inteligência do desenho arquitetónico contemporâneo é o ponto de partida para a descoberta da identidade e da memória. Num país cheio de história espalhada pelos 943 quilómetros de costa e 1214 quilómetros da mais antiga fronteira europeia, é com algum desapontamento, que se constata que fora das grandes cidades e centros históricos, continua o interior, abandonado nas marcas do seu passado, profundamente rural e taciturno. Pretende-se assim repensar a conexão e revitalizar os lugares de grande valor paisagístico e arquitetónico construídos ao longo de séculos e que está disperso pelo nosso território através de um olhar cuidado para o seu significado dos seus espaços. Quase como um revistar ao Inquérito à Arquitetura Regional, propõem-se uma nova viagem, agora para além de levantamento, é preciso desenho, é preciso criar novo, também sistematicamente, também em todo o país, também por jovens arquitetos. Porque, lembrando Fernando Távora, património é só um: passado, presente e futuro.
Na itinerância do Douro Ignoto demonstra-se como se desenha uma nova forma de dar a ver um antigo território, e no lugar de São Salvador do Mundo mostra-se como o desenho arquitetónico permite re habitar os seus lugares, trazendo novos usos e vivências.