O LADO IMPULSIVO, INCOERENTE E EMOTIVO DA ARQUITETURA. Intervenção numa frente de água Chau Doc, Vietname

Autoria:Maria Monteiro

Orientação:Jorge Carlos

Universidade da Beira Interior - Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura

Finalista

Memória descritiva

As comunidades localizadas na margem do rio Mekong, Vietname, encontram-se expostas a períodos de fortes monções e às subidas sazonais do nível das águas do rio. Como solução, as casas encontram-se assentes em estacas, com algumas variações de altura, construídas com materiais (chapas onduladas, tijolos e desperdícios industriais) condicionadas pelo nível económico dos habitantes, o que conduz a uma arquitetura rudimentar e inadequada para o tipo de clima subtropical. O projeto pretende desenvolver um módulo habitável desenhado segundo um ponto de vista económico e sustentável, combinando os conhecimentos das gerações passadas com as exigências do futuro. Chau Doc foi escolhido como local de intervenção para o projeto, localizado na bifurcação do rio Bassac e Mekong, onde existe uma elevada ocorrência de inundações. A proposta foi desenhada com diferentes níveis sociais de intervenção, inspirada pelos valores de família e sentido de comunidade, resultando num modelo flexível adequado às necessidades dos habitantes assim como elevar o sentido de comunidade. O material principal de toda a construção é o Bambu, típico das paisagens Vietnamitas, um material fácil de trabalhar, acessível a todos os habitantes, o que torna a casa sustentável com custos baixos e de fácil manutenção, podendo ser construída pelo próprio habitante. Outra componente sustentável é o aproveitamento das águas pluviais para uso doméstico, assim como, a proposta de solução para os esgotos, onde se pretende projetar um sistema de depósito de águas residuais flutuante, localizado entre as estacas, que acompanha a subida e descida do nível das águas, de fácil acesso. O principal objetivo de toda a proposta procura garantir uma arquitetura que responda às necessidades de um modo de vida sustentável, através de uma construção simples, combinando as necessidades dos habitantes com os materiais disponíveis na zona envolvente, assente nos princípios e tradições das gerações passadas.