A Quinta da Cardiga. Aproximação à sua Arquitectura, Paisagem e Território

Autoria:Joana Saque

Orientação:João Favila Menezes

Universidade de Évora - Escola de Artes | Mestrado integrado em Arquitectura

Menção Especial

Memória descritiva

Localizada em pleno Ribatejo, a Quinta da Cardiga situa-se na margem norte do Rio Tejo, entre as povoações de Vila Nova da Barquinha, Entroncamento e Golegã. Se a sua implantação ocorreu por razões militares, da necessidade de defesa e povoamento durante a Reconquista, num segundo momento, finda a guerra neste território, ela tornou-se o centro do aproveitamento de terras férteis nas margens do rio, organizando o território e a paisagem ao longo de oito séculos. No entanto, a partir de 1970, a Cardiga sofreu um crescente processo de abandono e deterioração; muitos dos terrenos foram sendo alienados e o edificado, composto pela casa nobre e por vários edifícios com funções agrícolas e industriais, encontram-se na sua maioria em estado devoluto e em ruína.

A Quinta, como ‘máquina’ em simbiose com os seus terrenos, já não existe. O seu legado, que mostrava uma forma de equilíbrio e reciprocidade entre o Habitar e o Trabalhar, entre a Contemplação e a Introspecção, entre a Transformação e a Preservação, entre Cultura e Natureza, desapareceu – o que nos leva à problemática principal desta investigação: como revitalizar esta ‘estrutura-máquina’ para o séc. XXI, estando implicada a sua obsolescência?

Recuperar a utilização do património construído da Cardiga dependerá de estratégias integradas de revitalização. Por estarem fora da nossa capacidade de planeamento, a proposta irá cingir-se às intervenções de estruturação e clarificação do conjunto, como estratégia de preparação da sua recuperação total.

Das transformações propostas estudaram-se as aproximações e os afastamentos, a chegada ao lugar a partir de diferentes pontos estratégicos, associando esta estrutura a espaços naturais protegidos ou a rotas de peregrinação e turísticas, permitindo estabelecer uma rede que possibilita a identificação, o reconhecimento e a compreensão do nosso território e paisagens a fim de alertar também para a sua preservação.

Desta forma, propomos trabalhar nas orlas dos terrenos agrícolas e nas galerias ripícolas que os atravessam, como meio de estruturar a paisagem e integrar a proposta, bem como nos limites do conjunto edificado, dotando o núcleo da Quinta de espaços que possibilitam uma utilização mais ampla e que configuram um limite às intervenções construídas, considerando-se esta proposta a primeira fase de um projecto de revitalização para um lugar complexo.