Ginjal, Território Não-Objectivo. Comunidade e Linguagem num Plano Agrícola Ribeirinho

Autoria:Manuel Ramos

Orientação:Daniela Arnaut Godinho Antunes

Universidade de Lisboa - Instituto Superior Técnico | Mestrado integrado em Arquitectura

Menção honrosa

Memória descritiva

Ginjal, Território Não-Objectivo é um projecto que se desdobra em três linhas de acção para este território ribeirinho: uma, urbana, composta por um plano com três quilómetros lineares, procura a reactivação do lugar através de um sistema gerado por uma infraestrutura aquática — um dique ou barragem que garante protecção contra a subida do nível das águas — e que por sua vez conforma um hiato com a margem existente, a ser preenchido por; uma segunda linha de acção, produtiva, composta por campos de aquacultura; a terceira e última, cultural, estruturada por uma tríade programática de edifícios de administração, lazer e educação, isto é, escritórios, uma discoteca e uma escola secundária. Todo o plano é conectado por uma série de portos com ligações internas, ao longo da margem Sul da foz do rio Tejo, bem como externas, com a cidade de Lisboa.

Estas três componentes produzem um organismo vivo, independente e auto-suficiente, onde trabalho e prazer, colheita e usufruto, braços e peito, juntos, propõem uma visão fundada no respeito pela identidade histórica do lugar — de pescadores, armazéns, oficinas e pequenos estaleiros navais — e que reitera as fortes sensações que este hoje produz em quem o visita ou admira do outro lado.

Assim, compõe-se um quadro de intenções por um Ginjal fundado em sensações, construído não apenas para resolver problemáticas como as das futuras cheias ou do actual abandono mas sobretudo pelo desejo irresistível de dar forma ao seu potencial — Um Ginjal Não-Objectivo.

Foi realizado um estudo acerca da materialização destas (e outras) sensações em formas construídas. Para tal, três textos foram analisados: Arquitectura Emocional quando Comparada com a Intelectual: Um estudo sobre Subjectividade e Objectividade (1894), de L. H. Sullvian, O Mundo Não-Objectivo: Parte II Suprematismo (1927), de K. Malevich e Arquitectura Não-Referencial (2017) de M. Breitschmid e V. Olgiati. O segundo foi traduzido para português.