Habitat em Bissau. Adaptar o Molde ao Invés de Moldar a Adaptação

Autoria:Madalena Leal Oliveira

Orientação:Nuno Alberto Leite Rodrigues Grande

Universidade de Coimbra - Faculdade de Ciências e Tecnologia | Mestrado integrado em Arquitectura

Finalista

Memória descritiva

Este projeto teve como área de intervenção a frente fluvial de Bissau.

A Guiné-Bissau é um território com um clima tropical, composto pela estação quente e seca e a época das chuvas.

A presente proposta pretendeu estabelecer uma estratégia de desenvolvimento para a cidade de Bissau. Para tal foram abordadas três etapas:

– Estratégia geral de turma num eixo de 16 km;

– A sua adaptação a três áreas distintas: Bôr, Bandim e Antula Sul, em trabalho de grupo, sendo que este projeto se insere na área de Bôr.

-O desenvolvimento de projetos individuais dentro de um bairro dessa mesma área;

“Um sapateiro adapta o sapato ao pé do seu cliente, mas também pode fazer calçado de medida normalizada, como o sapateiro do exército, e deixar que o pé do cliente se adapte.”

Hassan Fathy, 1969

Esta é a citação que serviu de mote para toda a proposta de projeto: criar um molde de projeto que se adapte ao quotidiano dos guineenses.

Na proposta definida em turma, dado não existir nenhum transporte público atualmente neste território, propôs-se a implementação do Bus Rapid Transit (BRT) – ao longo de uma linha de 16 km. Para este novo meio de transpote, foram projetadas diversas praças-interface.

Numa escala mais aproximada, no trabalho de grupo, ganharam-se diferentes ligações transversais à via estruturante do BRT, onde se introduziram equipamentos de que o local carecia.

O trabalho individual recaiu sobre uma Praça-interface de B.R.T., uma Escola Primária e um conjunto de Habitação Evolutiva.

Para a praça-interface de BRT foram pensadas duas coberturas laterais que incorporam programas de comércio e lazer. Estas são espaços de estar arborizados, através de árvores que atravessam as lajes, fazendo referência ao papel simbólico desta nesta cultura. No canteiro do piso térreo, é possível encontrarmos uma mesa, uma estante para livros ou até mesmo um banco. A ventilação passiva é assegurada, e os materiais tiveram em atenção a população local.

A habitação foi organizada seguinda a lógica das moranças (conjunto de casas pertencentes ao mesmo agregado familiar, que habita em poligamia, numa aldeia). Foi seguida a lógica evolutiva na habitação, dado o comum crescimento célere do agregado familiar guineense. As fachadas estão protegidas pelo alpendre e a ventilação transversal foi garantida. A habitação foi pensada para se apoiar sobre um embasamento de meio metro que resguarda a casa de chuvas intensas. Quanto aos materiais, a escolha recaiu sobre soluções locais já exisentes.

A escola primária surge num quarteirão partilhado com os espaços habitacionais, tendo a escolha de materiais seguido a lógica da habitação. Os espaços foram pensados para que as criaças encontrem neles identidade, sendo que a estratégia da árvore enquanto elemento agregador, adotada na praça interface, é aqui retomada.

Postas todas estas considerações, este é um projeto que se apresenta como agregador tanto das várias categorias de espaço da cidade. Esta abordagem sobre a cidade de Bissau procura relacionar-se com todos os cidadãos que aqui habitam, abrangendo todas as faixas etárias e todos os estratos sociais.