O RIO COMO ELEMENTO URBANO

Autoria:António Amado

Orientação:Carlos Francisco Lucas Dias Coelho

Universidade Técnica de Lisboa - Faculdade de Arquitectura

Vencedor

Memória descritiva

A elaboração deste projeto final de mestrado procura, através do entendimento da situação atual do território e de cenários de trabalho futuros ao nível das relações orográficas, testar uma hipótese de subida do nível das águas do mar no horizonte temporal de 2100, atingindo uma cota de 1,90 metros, decorrente do fenómeno das alterações climáticas. Sobre esse cenário, desenvolve uma proposta de ordenamento urbano que assegura uma solução para a frente ribeirinha do Barreiro, Estuário do Tejo.

A frente ribeirinha do Barreiro, tendo em conta a sua envolvente mais próxima no Seixal e Moita, é uma planície ribeirinha com declive e cotas reduzidos, caracterizado por extensas áreas de planícies aluviais, que não se encontra preparada para acolher uma possível subida do nível medio da água do mar. Esta subida ameaça as áreas urbanas e as actividades ribeirinhas mais suscetíveis,podendo traduzir-se numa perda significativa de património material e imaterial. Para este contexto, é proposta uma estratégia pró-ativa, aproveitando a subida do mar como um fator de desenvolvimento, através da maximização da

capacidade adaptativa do território a esta alteração e das suas características como recurso (como por exemplo viveiros de ostras e bivalves, hortas flutuantes e energia). Procura-se assim o equilíbrio entre o urbano e o natural segundo uma lógica progressiva, adaptada, flexível e regrada. Desenvolve-se também um processo faseado e com etapas definidas, cuja implementação é regrada e de índole incremental, não se agarrando a uma metodologia de intervenção única devido á heterogeneidade que o tecido ribeirinho apresenta. Estas etapas são definidas e organizadas segundo o nível de subida da água verificado, disponibilizando factores reguladores e de avaliação dos impactos desta subida correlacionados com um quadro de medidas interventivas, também elas associadas ao nível de subida registado.

Á escala do edifício, desenvolveu-se um programa de equipamento, que pretende dar resposta a carências identificadas na elaboração da caracterização atual do território (suportado por uma fase de inquérito e análise intensiva) e ao mesmo tempo contribuir para a integração e fortalecimento da relação do rio com o os aglomerados urbanos, tornando-o um elemento chave.

O equipamento proposto localiza-se na área da antiga ligação ferroviária Barreiro – Seixal no esteiro de coina, fazendo a ligação entre o interface do Barreiro e a margem estuarina do Seixal, tendo como programa um learning center que acolhe as funções de: paragem do metro sul do tejo, biblioteca, marina, café/restaurante, auditório, conjunto de espaços flexíveis, uma secção de apoio a atividades relacionadas com as atividades lúdicas praticadas no rio e restabelecimento da ligação entre as duas margens – Barreiro – Seixal.

O equipamento pretende reestabelecer a ligação que existiu no período industrial (que quando destruída, direcionou a travessia para o contornar do esteiro de Coina), melhorando a dinâmica entre as duas margens, com impactos positivos a nível regional. A melhoria desta dinâmica a nível regional traduz-se na capacidade desta ligação acolher o Metro Sul do Tejo, fazendo a ligação pelo antigo canal ferroviário da Quimiparque e permitindo a acessibilidade da margem sul do tejo por transporte público em canal dedicado para a ligação a Lisboa.

Como objeto arquitetónico, o equipamento proposto pretende reunir características arquitetónicas e de qualidade técnica operativa de uma infraestrutura de interface, de forma equilibrada do ponto de vista estético e funcional. No que diz respeito ao traçado arquitetónico, pretende-se intervir de forma a aglutinar o moderno e o tradicional, funcionando o objeto proposto como um elemento que procura o reinterpretar do local. Esta junção é evidente na articulação do traçado arquitetónico simples proposto com os elementos estruturais palafíticos que pretendem reinventar as construções palafíticas da zona do Estuário do Tejo.