Um Porto para a Preguiça. A Pesca Artesanal e Desportiva como Motores do Desenvolvimento da Vila da Preguiça

Autoria:Afonso Guimarães

Orientação:Adelino Manuel dos Santos Gonçalves

Universidade de Coimbra - Faculdade de Ciências e Tecnologia | Mestrado integrado em Arquitectura

Menção honrosa

Memória descritiva

A Vila da Preguiça é um pequeno povoado costeiro na ilha de São Nicolau, em Cabo Verde. O conjunto edificado que engloba a frente mar da vila possui um valor patrimonial notável, atualmente em ruína. Por consequência, a praia e o cais da Preguiça, onde decorre a faina piscatória, não têm condições funcionais nem de segurança. Trata-se de um problema grave para as famílias que aí vivem e dependem da pesca para a sua subsistência económica e alimentar.

Esta dissertação foca-se num estudo in situ, das caraterísticas globais da pesca na Preguiça e das suas fragilidades, mas tambem das suas potencialidades. Neste sentido, juntamos uma investigação teorico-prática que explora modelos turísticos não invasivos em par com uma análise da polivalência urbana dos portos de pesca. Com base neste trabalho, é proposto um anteprojeto para um novo porto de abrigo que, contempla o vínculo entre a pesca artesanal e desportiva, capaz de funcionar como um importante motor de desenvolvimento sustentável para a vila.

O anteprojeto, em conjunto com outros 6 realizados por uma turma de seminário, e com o apoio da ONG Atelier Mar e do governo de Cabo Verde, integra o Plano de Desenvolvimento Integrado e Salvaguarda da Vila da Preguiça [PDIS], um plano de pormenor e salvaguarda que tem como objetivo apoiar a revitalização e refuncionalização da vila com foco num desenvolvimento progressivo.

Posto isto, faz sentido que este anteprojeto seja dividido em duas fases. A primeira conciste na introdução dos edifícios que respondem às carências mais urgentes: cabines de armazenamento individuais próprias para guardar os apetrechos dos pescadores; uma unidade de armazenamento e produção de gelo para permitir o armazenamento e expedição do pescado; e um edifício dedicado à pesca desportiva, para potenciar e reativar a antiga associação de pescadores. A segunda fase prevê a ampliação da plataforma portuária, em conjunto com a reabilitação total do cais da Preguiça.

O facto do porto estar no encontro de três ambientes distintos — a vila, a praia e o mar — motiva não só importantes relações paisagísticas, mas também históricas e sociais. A consciência de que este é um lugar que faz parte da identidade da vila e da própria comunidade, foi indispensável para uma concepção coesa deste anteprojeto.